| Protesto contra a Cavalgada do Mar |
|
|
|
|
Defensores de animais independentes e representantes das entidades que assinaram a Carta Aberta Aos Gaúchos de Bom Senso compareceram no final da tarde do dia 26 de fevereiro à Praça a Matriz de Porto Alegre, o centro político do Estado, onde se situam o Palácio do Governo e a Assembleia Legislativa. Portando faixas e cartazes que pediam o fim da exploração animal e o fim da Cavalgada do Mar, os participantes leram a Carta e outros materiais que denunciam os abusos cometidos no evento, patrocinado com verba pública (por meio de órgãos vinculados ao Estado e pelo próprio Estado). A Carta Aberta foi entregue pessoalmente ao Chefe da Casa Civil Adjunto, Leonardo Hoff, que recebeu uma comissão de representantes de entidades de defesa animal, entre elas, o Movimento Gaúcho de Defesa Animal, o Grupo pela Abolição do Especismo e o Grupo Gatos & Amigos. Neste ano, o percurso da Cavalgada sofreu alterações em relação a jornadas anteriores para garantir que a atual Governadora Yeda Crusius pudesse posar para fotos. A cavalgada contou também com a presença da polêmica Secretária da Cultura do Estado, Mônica Leal, que tem sido ridicularizada em vários blogs e sites na internet, entusiasta da Cavalgada e de bailes de debutantes, que considera eventos culturais. Independentemente da questão política e de financiamento, o protesto foi movido pela indignação popular no que diz respeito aos maus tratos impostos aos cavalos. Da perspectiva dos direitos animais, o eventual comprometimento de parte da organização da Cavalgada de garantir melhores condições aos cavalos não é solução para o caso e por isto o pedido de fim do evento. Algumas declarações do Coordenador da Cavalgada do Mar acabaram por mobilizar outros setores da sociedade, como as mulheres, “tradicionalmente” diminuídas no seu papel e homenageadas na atual cavalgada na condição de “prendas”: Que culpa eu tenho se tu matas o teu cavalo? Morreram dois, o que é natural. Se morrerem 15 cavalos, não tenho nada com isso. Quem sou eu para dizer que alguém não pode participar? O animal tem de ser preparado. Esse é um problema do dono do cavalo. É como mulher. Se tu não tratares bem, vais levar guampa – diz Romera. (Zero Hora, 26/2/2010) A declaração, publicada no jornal Zero Hora, vem sendo alvo de chacota e irritou até mesmo tradicionalistas menos toscos, por ter mais uma vez evidenciado a estreiteza do tradicionalismo. Um conhecido folclorista gaúcho, Paixão Cortes, descaracterizou a Cavalgada: É simplesmente uma caminhada a cavalo. Não há pesquisa ou questionamento sobre nada. Não serve para questionar os problemas do Rio Grande. É um passeio. É comer, beber e dar risada. (Zero Hora, 26/2/2010) No seguimento da mobilização pelo fim da Cavalgada do Mar, os grupos organizadores do protesto pressionarão os patrocinadores Banrisul, Sulgás, CEEE e Governo do Estado, bem como seguirão conclamando a população, os gaúchos de bom senso, a rechaçarem tal patacoada do Mar, poluidora das areias do frágil ecossistema litorâneo e exploradora dos cavalos, as grandes vítimas do sem propósito evento. Os organizadores do protesto também avaliaram positivamente o papel da imprensa da capital e do interior que colocou o tema em pauta, provocou o debate e propiciou que termos como abolicionismo, veganismo e direitos animais fossem ouvidos, em muitos rincões, talvez pela primeira vez. Além de tudo isso, cabe ressaltar o apoio recebido de vultos como o professor, escritor, pensador e polemista, o nosso enfant terrible Juremir Machado da Silva, no brilhante texto "Tempo de Matar Cavalos": Também pronunciou-se Nilson Souza, editorialista da Zero Hora: E o golpe de misericórdia com Paulo Sant´ana: Ah! E não deixe de ver os vídeis da manifestação no Youtube! (Se o vídeo estiver devagar ou travando clique em '||' para pausar até que a barrinha vermelha esteja totalmente carregada, aí sim, continue a assistir o vídeo). |
| < Artigo anterior | Artigo seguinte > |
|---|





