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Campanha "Cães sem correntes" PDF Imprimir E-mail
Cães acorrentados:

Em toda a parte do mundo, são milhares os cães condenados a prisão perpétua, sem possibilidade de liberdade condicional. Estes animais nada de mal fizeram, nunca cometeram um crime. Contudo, são sujeitos a um castigo pior do que a morte: uma vida na extremidade de uma corrente...

A triste realidade:

Por todo o país, são muitos os cães que sofrem em silêncio porque ninguém sabe que estão acorrentados, porque ninguém se importa que estejam acorrentados ou simplesmente porque ninguém quer interferir para tentar melhorar a vida desses animais. Estes animais dormem dentro de latões, caixotes, ou outro material inutilizado por estar degradado, sentam-se sobre a lama ou sobre o cimento gelado, muitas vezes não têm água fresca à disposição, raramente têm atenção...

A maioria destes cães vive toda a sua vida na extremidade de uma corrente, dia após dia, mês após mês, ano após ano... A maioria destes cães nunca passeou, nunca teve o prazer de saber o que é brincar, e muito menos sabe o que é ser acarinhado.

Acorrentados pelo pescoço, estes pobres animais não vivem, simplesmente existem. Existem sem respeito, sem carinho, sem exercício, sem interação social e, por vezes, sem os cuidados alimentares básicos. À medida que os dias se transformam em anos, a maioria destes cães deita-se, senta-se, dorme, come, bebe, urina e defeca dentro do mesmo raio de dois metros...

Em muitos casos, o pescoço de um cão acorrentado fica em carne viva e coberto de feridas, não só porque o tamanho da coleira não é adequado ao tamanho do pescoço (a coleira original já era por muito apertada ou o animal foi crescendo e a coleira não "acompanhou” esse crescimento), mas também porque o cão está permanentemente a tentar forçar ao máximo a corrente para escapar da reclusão a que foi submetido. Não em raros casos, a coleira acaba mesmo por se incorporar no pescoço do animal, acabando por apodrecer essa zona. São casos muito tristes, mas muito reais...

As pessoas alegam muitos motivos para acorrentarem os seus cães. Algumas ficam frustradas com o comportamento do cão dentro de casa e não acreditam que o mesmo possa ser educado para se comportar em condições quando no interior. Muitas outras estão simplesmente a repetir a forma como sempre viram as pessoas que as rodeiam a tratar os cães (avós, pais, vizinhos, etc.), não conhecem outra realidade. Algumas (para não dizer muitas) destas pessoas mal têm condições financeiras para terem um cão. E, sim, infelizmente muitas delas simplesmente não tem a mínima consideração para o bem-estar do cão.

Por que envolver-me?

Muitas pessoas que gostam de animais e vivem perto de cães acorrentados nunca tentaram melhorar a situação. Ou porque simplesmente não se querem envolver, ou porque têm receio de um confronto direto com a pessoa que mantém o animal naquelas condições. Contudo, pela vida do animal, é urgente que se envolvam! É urgente que se envolvam porque nós, como comunidade, temos de fazer passar a mensagem de que manter um animal acorrentado é inaceitável. Por quê? Para além da óbvia crueldade, acorrentar um cão não só é mau para o animal, como poderá resultar num ambiente bastante perigoso para as pessoas da zona, especialmente crianças. Um cão continuamente acorrentado e isolado no exterior tende a transformar-se num animal ansioso, neurótico, territorial e inclusive agressivo.

Cabe a nós (cidadãos, vizinhos, conhecidos, etc.) informar e sensibilizar as pessoas que mantêm um cão acorrentado. A vida de muitos cães mudou radicalmente simplesmente porque alguém se preocupou o suficiente para intervir.

Como sensibilizar as pessoas?

O primeiro passo para fazer a diferença, pelo menos a curto prazo, na vida de um cão acorrentado consiste em fazer chegar informação educativa às mãos das pessoas por ele responsáveis. Para esse efeito, a associação Pelos Animais desenvolveu postais de sensibilização (Leva-me Para Junto de Ti) e folhetos informativos (A Vida Na Extremidade de Uma Corrente), os quais serão enviados pela própria associação para pessoas que mantenham o seu animal acorrentado.

Apesar de, essencialmente em meios mais pequenos, a recepção de correspondência em nome de uma associação ser mais convincente, poderá entrar em contato conosco para que lhe enviemos alguns exemplares do material de sensibilização/informação. Depois de receber os seus postais e/ou folhetos, bastará trazer alguns exemplares consigo (por exemplo, no seu carro) e, sempre que vir um cão acorrentado, deixar um exemplar na caixa de correio da casa em questão ou, se sentir preparado para isso, entregar pessoalmente o material à pessoa responsável e tentar sensibilizá-la. A sensibilização/educação pode e funciona junto de muitas pessoas! Mesmo que não vejamos um resultado imediato, o nosso esforço conjunto acabará por surtir efeito.

Se achar que, em determinado caso, será mais eficaz uma abordagem direta, na seção que se segue tentamos dar-lhe algumas sugestões sobre como poderá tentar sensibilizar o responsável pelo animal.

Como abordar os responsáveis pelo animal:

O primeiro passo consiste em conhecer os responsáveis pelo cão. Por precaução, sugerimos que vá acompanhado. É muito importante que seja simpático, amigável e respeitoso para com a pessoa. Para "quebrar o gelo" poderá, por exemplo, oferecer um pacote de biscoitos para cão.

Comece por se apresentar educadamente e continue com algo gênero:

* Sou voluntário de uma associação de proteção aos animais e venho oferecer materiais gratuitos para o seu cão.
* Tive um animal muito parecido com o cão. Posso ir fazer-lhe umas festinhas?
* Reparei que o seu cão está acorrentado. Tenho a certeza que ele adoraria praticar um pouco de exercício. Posso vir cá algumas vezes durante a semana para passear o seu cão?

Se a pessoa parecer receptiva, pergunte-lhe o nome do cão (suponha que se chama Bobi) e se poderá ir com ela conhecer o animal. Isto irá dar-lhe a oportunidade de conhecer o cão e o responsável, e de saber por que motivo o cão está acorrentado. Neste caso, poderá ser que consiga ajudar a resolver o problema. Por exemplo:

* Se o Bobi estiver acorrentado para que não acasale com outro cão, poderá tentar sensibilizar a pessoa acerca das inúmeras vantagens da esterilização, informar-se sobre esterilizações a baixo custo e comunicar essa informação ao responsável.
* Se o Bobi estiver acorrentado porque salta a grade, ofereça-se para ajudar a colocar extensões.
* Se o Bobi estiver acorrentado porque a pessoa nunca sequer quis ter um animal, ofereça-se para encontrar um lar para o animal, podendo ser que a pessoa concorde. Apesar de alguns cães acorrentados serem agressivos (em resultado das condições em que são mantidos), outros cães são ótimos animais de companhia, bastando para tal algum treino e carinho.
* Se o Bobi estiver acorrentado para servir de cão de guarda, tente explicar que os cães acorrentados não dão bons cães de guarda. Um cão acorrentado nada poderá fazer para deter um intruso, a não ser ladrar. Ora, como a maioria dos cães acorrentados ladra freqüentemente para ter um pouco de atenção ou porque, por estar tão isolado, a mínima coisa lhe chama a atenção, como saber se ele está a ladrar devido a um perigo real? Além disso, um cão acorrentado torna-se agressivo, e não protetor. Um cão agressivo não consegue distinguir entre uma ameaça e um amigo da família, pois não está habituado a pessoas. Um cão agressivo poderá atacar qualquer pessoa, desde a criança do vizinho do lado ao carteiro. A melhor forma de se ter um cão protetor, que saiba distinguir um "amigo" de um "inimigo", consiste em sociabilizar o cão e levá-lo para dentro de casa, junto da família. Um cão protetor está habituado à presença de pessoas e consegue sentir quando a sua família está ameaçada. Um cão aprende a ser protetor passando muito tempo com pessoas e aprendendo a conhecer e a gostar da sua família humana. As estatísticas demonstram que a melhor intimidação para com intrusos é um cão no interior. Os intrusos pensarão duas vezes antes de entrar numa casa com um cão do outro lado da porta.

É essencial ser construtivo, e não crítico. Se o Bobi estiver infestado de parasitas ou demasiado magro, não critique o responsável. Afinal de contas, não queremos de forma alguma de a pessoa fique incomodada com a intromissão, pois tal impossibilitaria o diálogo. Simplesmente diga algo do gênero: "Tenho uma embalagem de anti-pulgas quase cheia em casa que posso trazer para aplicar ao Bobi", ou então "Parece-me que o Bobi ficaria com bem melhor aspecto com mais uns quilinhos. Posso trazer-lhe uma saca de ração gratuita?", ou ainda "Adoro escovar cães. Posso passar por aqui um dias destes e tratar do pêlo do Bobi?"

Atenção: Nunca é demais enfatizar que tudo o que oferecer é gratuito!

Depois de conhecer o responsável pelo cão, tente manter uma boa relação. Deixe ocasionalmente guloseimas ou brinquedos, vá perguntando como está o Bobi ou ofereça-se para levar o Bobi a passear ou ao veterinário.

Com o tempo, e com o estabelecimento de uma relação mais próxima, é bem provável que as suas tentativas de sensibilização e informação acabem por surtir efeito, e que o responsável acabe por libertar o cão da corrente e, quem sabe, levá-lo para dentro de casa.

E quando a sensibilização não funciona?

Apesar de a nossa intenção, como protetores dos animais, ser libertar estes cães das correntes e levá-los para dentro de casa, para junto das suas famílias, temos de ser realistas e estar preparados para lidar com o fato de que há pessoas que simplesmente não pretendem de forma alguma levar o animal para junto de si ou construírem uma vedação. Se, depois de tentarmos tudo ao nosso alcance, for evidente que o cão continuará acorrentado, poderemos pelo menos tentar melhorar um pouco as condições de vida desse animal. Por exemplo:

* Oferecer uma corrente com vários metros de comprimento.
* Oferecer uma casa quente, à prova de intempéries.
* Educar a pessoa responsável sobre como melhor cuidar do seu cão em tempo de frio severo ou de calor extremo.
* Oferecer molhos de palha na época fria e explicar como manter o cão quente no Inverno.
* Oferecer guarda-sóis na época quente e explicar como manter o cão à fresca e em segurança no Verão.
* Oferecer brinquedos, comedouros higiênicos (por exemplo, em aço inoxidável), recipientes de grandes dimensões para água.
* Oferecer comida saudável e biscoitos/guloseimas e tentar demonstrar ao responsável que o simples fato de alimentar e abeberar o cão diariamente é de vital importância para o animal.

Tudo isto poderá ser demasiado óbvio e poderemos inclusive interrogarmo-nos: "Para quê incomodar-me com a pessoa que tem o cão, se esta pessoa é tão desconhecedora, insensata ou obstinada?".

Não fique indiferente. Participe!

Com muito poucas exceções, todos nós já presenciamos esta triste realidade dos cães acorrentados. Já os vimos na nossa vizinhança, já os vimos enquanto passeávamos numa zona rural, já os vimos em reportagens na televisão... Estes animais anseiam o fim da sua isolação, desejam ardentemente o calor de um lar, estão cansados de ver a vida passar-lhes ao lado. Bem vistas as coisas, estes cães existem na sombra da nossa comunidade.

Ajude-nos a tirá-los da sombra e a levá-los para dentro de casa. Por favor, colabore na campanha "Cães Sem Correntes". Junte-se a nós e ajude a demonstrar que a preocupação, a compaixão e a bondade estão vivas e presentes na comunidade.

Assim, se tiver conhecimento de algum cão que viva acorrentado ou permanentemente confinado a um espaço exíguo, envie-nos por favor a localização desse animal para o endereço \n Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email , para que possamos enviar às pessoas responsáveis o material de sensibilização e informação. Se quiseres ajudar para que possamos ter mais folhetos disponíveis para a educação e conscientização das pessoas, entrar em contato pelo mesmo e-mail. Obrigada!!!


Fonte: Associação Pelos Animais (texto modificado). www.pelosanimais.org.pt
 
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